quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

8º DIA ESTRADA REAL - OURO PRETO A CONGONHAS 08/01/14

 Bom a foto acima traduz tudo que eu estava sentindo neste dia. Depois de conquistar o caminho dos Diamantes e de um bom descanso em Ouro Preto era hora de encarar o caminho Velho. A expectativa era grande e a vontade de pedalar imensa, já que não pedalei no dia anterior. Tudo juntando com o novo desafio e de cara pegar uma trilha de nível de dificuldade alta para quem passa de bike com alforjes. 
Acordei um pouco mais cedo que nos outros dias e logo já estava começando minha sina. Saindo da cidade percebi que meu pneu traseiro estava descalibrado, parei então em posto de gasolina e calibrei para seguir adiante. De inicio um asfalto com subidas já mostrava o caminho e mais adiante uma entrada a direita subindo era o novo terreno a encarar. Subindo e subindo cheguei no ponto mais alto onde era possível ter uma ótima visão do lugar, e de cara da trilha que eu iria enfrentar. Ô felicidade, pegar uma trilhazinha logo de manhã seria ótimo. E lá fui eu, nem pensei duas vezes quando vi que há uma opção de ir pela estrada e evitar a trilha, já que é para fazer então que faça direito. A trilha começou suave sem grandes problemas, algumas pedras onde era preciso ter o máximo de cuidado com o cambio traseiro e a gancheira por exemplo. Fui seguindo pela conhecida trilha do chafariz. Por uma mata fechada segui minha trilha. A coisa foi ficando mais dificil e em alguns trechos era preciso descer da bike para passar pelas erosões da trilha. Porem nada que atrapalhasse minha viagem, pelo contrario, deu mais vigor e disposição encarar aquele desafio. Algumas paradas para fotos e descanso eram fundamentais, pois passar com a bike e com os alforjes estava sendo duro. Até que cheguei então ao chafariz, talvez o ápice do trecho onde pude ficar ali parado admirando o local e pensando como era antigamente quando os tropeiros e os bandeirantes passavam por ali para matar sua sede e de suas tropas. Neste lugar era ponto de encontro de expedições pelo interior onde provavelmente decisões eram tomadas de como prosseguir. Agora serve para contemplação dos viajantes e também para abastecer nossas caramalholas e matar nossa sede. Como ainda tinha chão para percorrer e o meu ouro ainda não estava garantido então bora girar pelas trilhas. Quando achei que já tinha passado pelo trecho mais dificil, era engano... peguei um matagal alto onde fui guiado por onde o nariz apontava. Como a trilha era em descida, abri caminho no peito e na roda. De vez em quando eu avistava os totens e quando conseguia olhava no gps para ver se estava no rumo. Arranha gatos (planta tipica com espinhos) começou a aparecer e sai abraçando tudo. Alguns cipos teimavam em me segurar, pareciam não querer que eu fosse embora. Somente eles faziam eu parar, pois embolavam no guidão, nos pedais e no capacete. Saindo da trilha comecei a pedalar por uma estradinha e logo estava passando embaixo de uma ponte de ferrovia. Não demorou muito estava pedalando do lado da linha e de novo na trilha. Por sorte era descida e como para baixo todo santo ajuda, bora descer. Trilha gostosa no meio do nada, sem referência nenhuma de onde ia sair e para onde ia. Cheguei então numa parte critica, onde tive muita dificuldade para passar a bike com os alforjes. Com muita luta consegui passar nas valas profundas e estreitas. Vencido o obstaculo cheguei então em São Bartolomeu, pequeno distrito encostado na beira da mata fechada. Bem pacato o lugar dei umas voltas para fotografar e comer um delicioso doce de goiaba tipico do lugar. Segui então o caminho para Glaura. Por estradinhas fui seguindo até que peguei uma outra trilha de uns 3 km, porem subindo, o que me atrapalhou bastante, mas não desanimou. A umidade estava altíssima nesta parte e o desgaste foi alto. No topo encarei uma descida por um pasto que me levou a um rio com uma ponte que estava mais para lá do que pra cá. Atravessei empurrando e pouco depois já estava em Glaura. era hora do almoço e não encontrei nada para almoçar. O jeito foi comer um sanduiche muito louco que num bar vendia. Como a fome falava mais alto encarei e torci para não passar mal. Como não tinha nada para fazer segui para Cachoeira do Carmo onde passei e na travessia de uma rodovia que passa no local encontrei aquele caldo de cana. Não teve jeito, parei e bebi 1 litro de caldo de cana bem gelado. Neste momento lembrei de minhas amigas Laura e Lucia, pois sempre brindamos um caldo de cana. Aquele caldo parece que entrou no sangue e deu um gás turbinando minhas pernas. Rapidinho já estava em Santo Antonio do Leite. Por uma estrada ampla e em ótimas condições apesar de ser terra mantive meu ritmo, passando então por Engenheiro Correa e então chegando a Miguel Burnier. Neste lugar já dei de cara com a mineradora da vale e seus pesados caminhões. O lugar é parado, uma pequena vila resumi o lugar. O interessante é a estação de trem que lá existe. Parei em um comercio local para beber um suco e repor minha agua e conversando com o dono ele me disse que alguns ciclistas passaram pelo local um dia antes. Pensei então na possibilidade de encontra-los pelo caminho. 
O caminho para Lobo Leite tinha tudo para ser tenso, já que a presença dos caminhões era intensa. Ai tive uma surpresa! Todos os veículos que passaram por mim mantiveram a distancia segura, diminuíram a velocidade e alguns até buzinaram me cumprimentando. Isso me deu um animo e num ritmo muito bom cheguei em Lobo Leite. Como de Lobo Leite até Congonhas eram apenas 11 km decidi continuar. Peguei uma forte subida, mas valeu a pena pois depois foi questão de tempo para chegar a cidade. Atravessei a movimentada BR-040 e fui direto para centro de Congonhas procurar um lugar para dormir. Cheguei com a cara puro minério, os alforjes e a bike estavam vermelhos de pó. Estava até bonitos. Só quando fui tomar banho e olhei no espelho do banheiro dei conta do meu rosto. Pensei, a mulher que me atendeu no hotel deve ter assustado ou ficou com vontade de rir, pois estava bem engraçado de fato. O dia foi bem duro no inicio, porem fechei com 95 km pedalados e como sempre feliz demais mais mais este passo em direção a Paraty.






 Olha o inicio da trilha...poucos encaram.







 Tinha lugar era assim.



Trecho Original da Estrada Real que liga Ouro Preto a Glaura. Caminho usado pelos antigos governadores para chegar a "casa de verão" em Cachoeira do Campo. Pelo caminho encontramos importantes vestígios da história mineira, como um autêntico Chafariz do Século XVIII encravado nas montanhas.



 Belo mirante da trilha.




 Porteira fechada, a gente passa e fecha, sempre!!!!!

 São Bartolomeu.







 Trilha para Glaura.

 Glaura.



 Igreja de Cachoeira do Carmo.



 Santo Antônio do Leite.



 Engenheiro Correa.




 Miguel Burnier.



 Ouro Branco pode ser avistada ao longe.


 Lobo Leite.





4 comentários:

Giovane disse...

O pedal tá show..... atualizei ele no blog que organizo, valeu pelo pedal, parabéns....
http://cascavelbikers.blogspot.com.br/2014/01/estrada-real-2014-6-dia-ate-o-fim.html

Penélope Laura disse...

Sensacional. Confesso que este relato foi excelente, ri várias vezes de como vc relata este 8º dia.
E, só vc mesmo para passar por lugares com tanta dificuldade.
Ah, e obrigada por lembrar de nós, realmente caldo de cana é um ótimo revigorante. As fotos estão lindas, mas faltou a que vc estava coberto de minério.
Parabéns!!!

Penélope Lúcia disse...

Parabéns pelo excelente post e pelas belas fotos. Como sempre muito bem explicado e desta vez com muito humor.
Adorei que vc se lembrou da gente, agora vamos marcar, juntamente com Vivian um pedal onde o caldo de cana não poderá faltar.
Muito feliz por vc, Wiliam!

Luis Galvao disse...

Wilian,se vc estava so,quem tirava as fotos?
Belo pedal cara.To cheio de inveja